Ah, é brasileiro?

tumblr_mlx6sa9ceu1qku1j3o1_500

(foto: weheartit.com)

Recentemente, fui ao cinema assistir ao filme “Somos Tão Jovens”, que retrata a vida do músico Renato Russo e o seu ingresso no cenário musical brasileiro com a banda Legião Urbana. O filme, que a propósito é muito bom, me fez pensar sobre uma questão bastante polêmica: qual o motivo dos preconceitos do povo brasileiro com as produções culturais nacionais?

Inúmeras vezes já me deparei com pessoas que desprezam as músicas cantadas em português que tocam no rádio ou que rolam os olhos ao ouvir falar em um novo filme brasileiro e se negam a assistir pelo simples fato de serem nacionais. Esse tipo de pensamento estereotipado já é ultrapassado, mas o povo brasileiro tem dificuldade de abrir os olhos para novas ideias.

Se na época da ditadura a indústria cinematográfica brasileira produzia apenas filmes um tanto fúteis e banais, como as pornochanchadas, que visavam apenas as vendas para a grande massa sem muito conteúdo, hoje isso mudou. O cinema brasileiro entrou em uma nova era, com novos polos produção em todo o país produzindo filmes excelentes, como Carlota Joaquina, O Auto da Compadecida, O Homem que Copiava e o recente Elena, que vem ganhando bastante reconhecimento internacional. Que tipo de país é esse onde as produções nacionais são mais admiradas fora da sua terra natal?

Não é só no cinema que esse preconceito pode ser identificado. A música é uma das mais atacadas pelos pseudo-críticos de mente fechada. A música brasileira merece muito mais reconhecimento do que recebe pelos seus conterrâneos, e não falo apenas da MPB. O sertanejo, o funk carioca e os ritmos tradicionais refletem a cara do Brasil, e mesmo não sendo de agrado de todos, merecem seu respeito. É claro que existe muita coisa ruim aqui, mas lá fora também, o que acontece é que a idolatria do que vem de fora faz com que os brasileiros fechem os olhos para os pontos negativos dos estrangeiros, mas abra bem para os brasileiros.

Grande parte deste preconceito vem da influência norte-americana na cultura brasileira. Desde pequenos somos bombardeados com filmes americanos, programas de televisão e até comidas americanizadas. Como o próprio Renato Russo já dizia: “Quando nascemos fomos programados
a receber o que vocês
nos empurraram com os enlatados
dos U.S.A., de nove as seis”. Criamos uma expectativa de que todo o mundo é assim, quando na verdade não é. Cada país deve ter a sua representação cultural, refletindo a sua realidade nas suas respectivas produções fonográficas e cinematográficas.

Não serei ingênua em pensar que esse vício de preconceito irá sumir do dia para a noite, mas é preciso que haja uma motivação, principalmente da parte do governo, para a produção cultural no país. Se a música e o cinema brasileiro não estão no nível dos americanos é por falta de incentivo e apoio do povo. Vamos abraçar a nossa cultura de uma vez por todas e mostrar para o mundo que o Brasil é tão bom quanto o resto. Viva a cultura tupiniquim!

(Texto produzido para a cadeira de Jornalismo de Opinião, da Faculdade de Comunicação Social – PUCRS)

Por Luísa Dal Mas

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Deisy Maria Andrade Batista

    23 de junho de 2013

    Como eu sou suspeita mandei para uma renomada jornalista amiga minha que elogiou muito do teu texto! Nota 10!

  2. Responder

    Cecy Oliveira

    23 de junho de 2013

    Oi Luisa
    Estou agradavelmente surpreendida pela maturidade do teu texto. Parabéns! Está muito jornalístico e rico de metáforas o que o torna muito saboroso. Abs,

  3. Responder

    Deisy Maria Andrade Batista

    23 de junho de 2013

    …corrigindo, “o” teu texto…

  4. Responder

    Lisete

    23 de junho de 2013

    Eu sempre achei todos os textos ótimos, mas um elogio de uma jornalista só me faz ter mais certeza de que tu estás no caminho certo, parabéns Luísa!!!

  5. Responder

    Sinara

    27 de junho de 2013

    Muito bom. Caminho certíssimo…bjs da prima emprestada Sinara com S Pereira

Deixe uma resposta