Sobre um certo Russo

Acho que todo mundo já teve aquela sensação de que nasceu na época errada, mesmo que na verdade esteja perfeitamente encaixado no seu tempo. Acho que na verdade o saudosismo está em voga. Pode ser que seja modinha e bobagem de adolescentes frustrados, mas é assim que eu me sinto quando ouço Legião Urbana. Pensar que eu nunca poderei presenciar ao vivo a genialidade do mestre Renato Russo me entristece de uma maneira inexplicável.

Confesso que só descobri de verdade a maravilha que era a Legião há pouco mais de um ano. Antes disso nunca havia dado muita bola para a banda, gostava de Eduardo e Mônica e Pais e Filhos assim como todo mundo, mas não passava disso. Foi de um ano pra cá que eu entrei nesse universo de letras que Renato deixou para trás e desde então cada música que eu descobria era uma experiência diferente.

A simplicidade das melodias combinam perfeitamente com a complexidade das letras. Ele mesmo falava que quase todas as músicas da Legião podem ser tocadas com apenas quatro acordes de violão, mas isso não faz elas menos incríveis. Na verdade, acho que faz elas ainda melhores.

Nunca conheci o Renato pessoalmente, é claro, mas me identifico com ele. Ele era um dramático, um apaixonado, não sabia “sentir pouco”, fosse na alegria ou na tristeza ele entrava de cabeça, coisa que eu também faço. Quando estou feliz e quero me sentir uma jovem livre e rebelde, coloco “Será” para tocar no volume máximo e danço sem vergonha pelo quarto. Em momentos de melancolia, “Teatro dos Vampiros” é a cereja do meu bolo de tristezas.

O timbre da voz dele me acalma, me leva para um lugar de certa paz e tranquilidade. Mesmo que eu esteja espremida dentro de um ônibus lotado, se escutar “Mais Uma Vez”, bem alto nos meus fones de ouvido, nada parece incomodar. Poucos artistas têm esse poder sobre mim, essa habilidade de fazer mágica com as cordas vocais.

Nunca conseguirei falar para ele isso tudo, então essa é a minha maneira de agradecer a esse gênio pela sua genialidade: obrigada Renato Russo. Obrigada por ser a trilha sonora da minha vida, por me acalmar com a sua voz, por me fazer viajar com as suas letras, por me fazer uma pessoa melhor com as suas ideias. Como você mesmo disse, “os bons morrem jovens” e com certeza você deixou essa terra muito cedo, sem me dar a chance de acompanhar ao vivo a sua jornada. Quem sabe um dia a gente não se encontra por aí. Enquanto isso, te mantenho vivo nas tuas músicas e na minha cabeça.

Luísa Dal Mas

15 de maio de 2014

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Ana Karina

    16 de abril de 2014

    Lu, também adoro o Renato. Descobri a Legião no ano q ele morreu, na verdade uns meses antes.
    Parece q ele, muitas e muitas vezes, faz um scanner da nossa alma.
    Tenho algumas músicas que são minhas queridinhas… Adoro “Os Barcos”, Vento no litoral e Metal contra as Nuvens (a que eu mais amo).

    Um beijo! E continua curtindo o nosso amigo Renato

  2. Responder

    Monica

    19 de julho de 2014

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