Embrulhado para presente

Dizem que os animais vivem no presente. Que não são capazes de sentir falta do passado ou planejar o futuro, respondem apenas àquilo que está acontecendo, ali, na sua frente. Não sei se é verdade ou não, mas sei que invejo essa simplicidade.

A complexidade do cérebro humano sempre foi vista como uma dádiva, uma evolução extraordinária, mas que muitas vezes pode ser um fardo, pelo menos para mim.

Sou do tipo de pessoa incapaz de viver no presente, como nossos amigos animais mencionados antes. Estou constantemente pensando no que está por vir ou no que já passou. Revivo as memórias de uma viagem incrível, mergulho na nostalgia infinita de momentos da infância, planejo novas aventuras, me preocupo com a prova que só vai chegar daqui dois meses. E o agora, como fica?

O que me conforta é que não estou sozinha nesse dilema. Parece cada vez mais difícil aproveitar o presente. Até na hora de registrar um momento em fotografia, nosso cérebro já está montando a legenda para o Facebook e escolhendo o filtro do Instagram.

Não há nada de errado em pensar à frente ou olhar para trás, mas acho que às vezes subestimamos o hoje, que nada mais é do que o passado de amanhã e o futuro de ontem. Acho que, por mais cafona que seja, temos que aproveitar cada momento que, na maioria das vezes, acaba passando rápido demais.

Mas vamos começar amanhã, agora vou lá pegar o álbum de fotos da minha última viagem, me bateu uma saudade…

 

Luísa Dal Mas

16 de março de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

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