Mais um sobre John Green

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Nos últimos dois anos John Green se tornou um dos autores mais populares do mundo. A Culpa é Das Estrelas, lançado em 2012, foi número um na lista de Best Sellers do New York Times e a sua adaptação para o cinema foi número um nas bilheterias durante toda a semana de estreia.

Green sabe contar histórias e o mundo começou a perceber isso. Cidades de Papel, lançado em 2008, será a segunda adaptação do autor para o cinema, com estreia marcada para julho deste ano. Assim como a história de Hazel e Gus, Cidades de Papel é delicado, poético e nos faz pensar.

O enredo trata de um garoto chamado Quentin, ou Q., prestes a se formar no ensino médio, que cultiva uma certa fascinação pela vizinha, Margo Roth Spiegleman. Logo no início do livro, Margo aparece na casa de Q. no meio da noite e o convoca para uma aventura de vingança. No dia seguinte, ela desaparece.

Entretanto, Margo deixa para trás algumas pistas. Quentin entende que ela quer ser encontrada, especificamente por ele, e a partir daí inicia sua própria aventura em busca da vizinha misteriosa.

Mais do que uma história de adolescentes ou uma história de amor, Cidades de Papel é uma reflexão sobre a maneira como vemos uns aos outros. Durante toda a sua vida, Q. criou uma imagem própria de Margo segundo o que ele acreditava ser verdade, mas que não necessariamente é a realidade.

Os humanos são seres julgadores. Mesmo sem intenção, a primeira coisa que fazemos ao ver alguém pela primeira vez é traçar um perfil. Muitas vezes, é difícil se desvencilhar daquele primeiro conceito que elaboramos.

Mesmo com pessoas com quem convivemos diariamente. Pessoas mudam, crescem, amadurecem. Elas percebem e entendem essas mudanças, mas para todos os outros ao redor pode ser desafiador aceitar isso. Às vezes nós mesmos vivemos e agimos de uma forma que seria aceitável e coerente com a nossa realidade, mas que no fundo é bem diferente de como nos sentimos.

É por isso que eu gosto do John Green e acho que todos deveriam ler seus livros. Em todas as suas obras ele propõe reflexões sobre aspectos comuns à vida de qualquer pessoa, seja adolescente ou adulto. Todos nós questionamos quem somos, julgamos os outros, nos apaixonamos, nos iludimos. Todos vivemos. Cidades de Papel é a história de alguém aprendendo a entender o mundo, o que não deixa de ser a história de cada um de nós.

Luísa Dal Mas

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Meio Enrolada

    6 de maio de 2015

    Amei esse livro.

    • Responder

      luisadalmas

      6 de maio de 2015

      É muito bom mesmo! 😄

  2. Responder

    isamarcante

    7 de maio de 2015

    Não li o livro ainda, Lu, mas tua análise me fez ter vontade de ler. Uma das piores coisas que existem dentro do ser humano é a construção dos pré-conceitos. Green, de alguma forma, tenta quebrar isso. E ele o faz brilhantemente.
    Adorei o texto!

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