Observações futebolísticas de alguém que não sabe nada

futebol torcida

Nunca fui muito chegada no futebol. Quando eu era criança, meu pai me levava aos jogos do Inter, comprava roupinha do time e urso de pelúcia, mas tudo foi em vão. Acabei virando gremista, mas nunca fui praticante. Confesso que era só para ter uma resposta preparada caso surgisse o tópico “gremista ou colorada”.

Apesar de não torcer para meu time, não acompanhar os jogos e nunca saber o nome de um jogador sequer, acho o futebol um esporte fascinante. O Brasil é enorme, com todo tipo de gente e cultura, mas de maneira geral, o futebol é uma constante nessa país tropical.

Das poucas vezes que fui ao estádio, ouvia deslumbrada os gritos da torcida quando os jogadores entravam em campo. O coro de um estádio inteiro cantando o hino nacional durante um jogo da Copa do Mundo, o mar azul e vermelho em um Gre-Nal, vejo tudo quase como uma obra de arte, que encanta quem vê de fora e emociona quem está lá dentro.

Já vi gringos alegando que futebol é chato, que nada acontece, que o pessoal fica lá sofrendo, suando, agarrado na camisa esperando um gol que às vezes nunca vem. Mas aí que está a beleza desse esporte, pelo menos para mim. Pode ser que demore, que seja sofrido, mas quando aquele gol chega, de surpresa, nos 45 do segundo tempo, aquela angústia acumulada durante toda a partida é liberada em um pulo e um grito de gol que toma conta das arquibancadas, dos amigos no boteco, ou do menino que mora do meu prédio e vai até a janela da apartamento para gritar e mostrar pro mundo aquela felicidade.

Sei que futebol não é para todos, eu mesma nunca sonhei em ser uma jogadora de futebol, mas é inegável a emoção que ele carrega. Independente dos problemas, das malandragens que rolam por baixo dos panos, a essência ainda está lá. Seja num campeonato mundial, ou numa competição de bairro, a euforia de ver a bola batendo na rede é um dos sentimentos mais sinceros, e espero que isso nunca mude.

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21 de junho de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Matheus de Jesus

    22 de novembro de 2015

    Texto excelente! O futebol também é uma manifestação poética. incluindo tudo o que foi citado aí. A adrenalina que se tem em um jogo emocionante é algo muito profundo de se sentir. Os melhores jogos que existem fazem uma mistura sutil e perceptível de uma estratégia inteligente com o talento de um improviso. Sinto uma invejinha, por exemplo, de quem pôde ver ao vivo o Vasco e Palmeiras da final da Copa Mercosul do ano 2000

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