Os vestidos que mudaram o mundo

Meu amor por moda e história vai virar post de novo, então vamos lá: alguns dos vestidos que marcaram o mundo da moda, inspirado no livro Cinquenta Vestidos que Mudaram o Mundo, do Design Museum!

O vestido é a peça de vestuário mais comum da história e já apareceu em diversas formas e cores durante os séculos, das túnicas da Grécia Antiga aos grandiosos vestidos vitorianos no século XIX.

Na sua origem, o vestido era usado tanto por homens quanto por mulheres, mas ao longo dos anos, ele acabou se tornando uma peça quase exclusivamente feminina, principalmente no mundo ocidental.

Já é evidente que a moda é uma indústria reciclável, e com o vestido não é diferente. Modelos que marcaram épocas passadas voltam a desfilar nas semanas de moda do mundo todo ano após ano, transformando o clássico em contemporâneo.

MELINDROSA (1926) Coco5 O vestido melindrosa é um símbolo dos anos 20 e escolha clássica das festas à fantasia. O modelo era o uniforme das mulheres revolucionárias, à frente da sua época. Os cabelos curtinhos, maquiagem marcante e os vestidos com a barra mais curta que o normal representavam a independência das mulheres.

Até então, a moda era algo restrito à alta sociedade, mas o modelo com a cintura baixa feito em malha acabou se tornando extremamente popular entre a classe média. O corte simples facilitava confecção caseira do vestido, que virou referência da época. imagem melindrosa NEW LOOK (1947) new look A coleção de Christian Dior de 1947 é a representação mais clássica e tradicional da mulher na moda. O New Look, como foi chamado esse novo estilo, surgiu em uma época de trauma no mundo. A Segunda Guerra Mundial tinha encerrado há dois anos e o mercado têxtil sofreu uma grande queda de produção.

Com essa coleção, Dior buscou trazer de volta o glamour e a sensualidade da mulher que foi perdida durante a guerra, inspirando-se no estilo da Belle Époque, de 1860.

O resultado foi o uso de silhuetas extremamente femininas, com a cintura marcada, saias grandiosas e jaquetas de ombros suaves. O estilista buscou moldar os vestidos sobre as curvas femininas, realçando o busto e os quadris de maneira extremamente elegante.

O New Look representou uma explosão de otimismo na Europa e provocou uma renovação econômica e social. imagem new look TERNINHO CHANEL (1959) terninho O terninho de tweed tecnicamente tem duas peças, mas sua contribuição para a moda foi tão importante que merece entrar na lista. O modelo foi criado por Coco Chanel e mais uma vez promoveu uma revolução para as mulheres da época.

Quando apareceu pela primeira vez nos anos 30, trouxe uma noção de profissionalismo para as mulheres, com a masculinidade do terno e ao mesmo tempo a feminilidade da saia. O material escolhido para a confecção foi o tweed, trazido do guarda-roupa masculino, na época barato, mas que hoje é sinônimo de luxo e elegância.

Segundo Karl Lagerfeld, que comanda a marca atualmente, Chanel “criou um estilo que, para o nosso século, é o equivalente do terno masculino de dois ou três botões.” imagem terninho VESTIDO MONDRIAN (1965) Um dos meus favoritos, o clássico vestido de Yves Saint Laurent representa um momento na história em que a moda e a arte passaram a ser vistas como iguais.

A coleção contava com seis vestidos inspirados nas obras do pintor holandês Piet Mondrian, cujo trabalho faz parte do movimento artístico Neoplasticismo.

Os vestidos se destacaram pela simplicidade do corte e das cores primárias retiradas do quadro de Mondrian. Era praticamente uma pintura em forma de vestido e representava a ideia de que a moda pode influenciar a arte, assim como a arte pode influenciar a moda. imagem mondrian MINIVESTIDO (1965) mini A segunda metade da década de 1960 foi marcada pela libertação e o desprendimento das regras, e esse sentimento de liberdade era passado para o vestuário dos jovens da época.

Mary Quant ficou conhecida na linha do tempo da moda como a criadora da minissaia e, consequentemente, do minivestido.

Assim como outras peças da lista, o minivestido representava a provocação, a mulher livre e independente, uma mulher que pode pular, dançar e correr atrás do ônibus, como dizia Quant.

A simplicidade do corte popularizou o vestido e acabou sendo um símbolo da juventude londrina daquela época e está presente até hoje nas passarelas e nas ruas do mundo todo. imagem mini VESTIDO ENVELOPE (1973) envelope O empoderamento feminino é um tema recorrente nessa lista de vestidos clássicos, e o tradicional vestido envelope não é diferente.

Assinado pela designer belga Diane von Fürstenberg, a peça que une conforto, praticidade e elegância tomou conta dos armários na década de 1970.

A estilista conta que o desenho do vestido surgiu após seu divórcio e veio para representar a liberdade sexual da mulher: um vestido fácil de colocar, mas mais importante, fácil de tirar.

Assim como o terninho Chanel, o vestido envelope também virou peça essencial para a mulher de negócios. Mesmo após vários anos, o vestido envelope ainda é a peça mais vendida de DVF. imagem envelope

assinatura

2 de agosto de 2015
9 de agosto de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Lisete

    5 de agosto de 2015

    Adorei a matéria! Não sei dizer de qual época gosto mais, mas com certeza a época do new look, para mim, é a mais chique e elegante.

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