Um gráfico sobre a vida

Com toda a minha habilidade matemática e lógica eu desenhei esse gráfico.

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Essa é a curva de autoconfiança da nossa vida. Observando meus amigos e eu mesma, percebi que o nosso nível de autoconfiança passa por muitos altos e baixos durante nossa breve existência na Terra.

Quando somos crianças achamos que podemos conquistar o mundo. Queremos ser super-heróis, astronautas, enfermeiras, advogadas, o próprio presidente do país. Temos toda a vida pela frente e nada parece impossível. Eu diria que é a melhor época da vida.

Na época de colégio nós ainda temos aqueles sonhos de futuro, temos planos de passar nas melhores faculdades, conquistar a carreira dos sonhos. Mas lá pelo ensino médio, naquela época de vestibular, já começamos a sentir o gosto do “mundo real” e como nem sempre tudo vai de acordo com o planejado e nem tudo é tão possível assim.

E aí chegam os vinte e poucos. Muitos estão numa faculdade que não gostam, sofrem num emprego que não traz tanta satisfação e alguns já precisam lidar com as responsabilidades de morar sozinho e ser um adulto, ou quase. É aí que a coisa desanda e é bem nesse ponto que eu e meus amigos nos encontramos.

Todos aqueles sonhos, as ambições, as ideias que tínhamos quando éramos crianças parecem ter sido esmagadas pela realidade e colocadas numa caixinha embaixo da cama. Nós sentimos que não alcançamos nada do que queríamos e por pressão da sociedade, ou nossa mesmo. Temos a sensação de que era isso, se até agora não consegui nada do que eu sonhava, provavelmente nunca mais vou conseguir.

Convenhamos que isso é uma bobagem sem tamanho, como a rainha Jout Jout falou num vídeo esses tempos, mas deixe eu te dizer que é inevitável essa sensação de fracasso. Nós colocamos expectativas demais em tudo e somos ansiosos, não queremos esperar. É agora ou nunca.

Mas é por isso que a curva do gráfico sobe depois disso. Porque com o tempo e a idade nós percebemos o quão bobo era esse pensamento. Vejo pais, tios e avós que fazem tanta coisa hoje que nem sonhavam antigamente, coisas épicas ou mesmo coisas simples, mas que fazem eles felizes.

Não cheguei lá ainda, mas eu acho que quando ficamos mais velhos percebemos que não, a vida não é aquele conto de fadas da infância e que não há problema nenhum nisso. Ela pode ser boa sem ser espetacular, sem seguir um plano e sem ser imediata. Pelo menos eu espero, porque essa neura aqui não tá dando mais.

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18 de agosto de 2015
23 de agosto de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

0 Comments

  1. Responder

    Lisete

    20 de agosto de 2015

    Muito bom, a mais pura e cristalina verdade!

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