Criando um filho chamado TCC

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Sim, desapareci do blog por algumas semanas, mas existe um culpado: o TCC.

O famoso Trabalho de Conclusão de Curso é o terror de todos os formandos do Brasil. Confesso que sempre achei que o drama do TCC era um exagero e que eu, como a boa aluna que sou, não teria dificuldades e não seria tão difícil. Mas é.

Eu concluí que escrever o TCC é quase como criar um filho. Você escolhe um tema e, na maioria dos casos, nunca mais se desprende dele.

Toda a sua vida gira em torno desse trabalho. Seus amigos que ainda não estão se formando não entendem o sofrimento. Você não pode mais sair, porque precisa terminar um capítulo. Conta todas as horas livres do dia, seja aquele momento entre a aula e o almoço ou o tempo que fica no ônibus indo pro trabalho, e calcula quantas páginas de um livro consegue ler naquele tempo.

Por causa disso a sua mochila vira uma espécie de bolsa de bebê, com tudo que você pode precisar para escrever a qualquer momento. É gigante e pesada, cheia de livros, cadernos, blocos de anotações e o computador, com 347 cópias do mesmo arquivo e mais algumas na nuvem.

Os autores que você usa para embasar suas ideias são os pediatras do seu filho”. Lá no auge da madrugada você se depara com um problema e corre para o socorro da Santaella (2004), pois só ela pode te salvar.

E claro, por conta dessa dependência constante, você começa a ficar meio louca e acha que os autores são seus conhecidos, fala sobre eles como se fossem seus amigos. De fato você passa mais tempo com eles do que com os amigos de verdade, então de certa maneira não deixam de ser.

O seu orientador é na verdade seu terapeuta. Toda semana você chega lá e conta todas as suas dores, suas dúvidas, seus arrependimentos e espera aquelas palavras de sabedoria que irão te guiar, mas que na verdade algumas horas depois você já esqueceu tudo e está sofrendo de novo.

E não é só você está criando esse filho, todos os seus colegas estão no mesmo barco, o que pode ser muito bom ou muito ruim.

Nos corredores da faculdade só se ouvem as perguntas “quantas páginas você já tem?”, “já acabou o segundo capítulo?”. A comparação com os outros vai te deixando maluca, sempre achando que está para trás e que não vai conseguir. A crise só diminui quando percebe que tem gente muito pior.

É uma jornada difícil, mas que no final tem sua recompensa. Aquele diploma lindo e o sentimento de dever cumprido te esperam na linha de chegada. Eu ainda estou na metade da maratona, ainda tenho que cuidar muito desse bebê. Eu, ele, nossos autores, nossos cadernos e nossa psicóloga/orientadora já tivemos muitos altos e baixos, mas sei que no final tudo vai valer a pena.

Pelo menos eu tento me convencer disso, porque no momento, definitivamente, não está fácil. Agora eu diria que meu Trabalho de Conclusão de Curso se transformou em um Transtorno do Choro Compulsivo.

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20 de setembro de 2015
18 de outubro de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

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