O 17 de novembro

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Por coincidências do destino, o dia 17 de novembro acabou ganhando o status de dia oficial das mudanças na minha vida. No ano passado, 17 de novembro de 2014, eu estava sentada em uma sala de embarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos esperando para começar o que seriam os melhores três meses da minha vida.

Participar do programa de estágio da Disney parecia uma realidade tão distante que não chegava a ser sonho, era quase utopia. Mas eu consegui. Eu fui. E um ano depois eu posso dizer com toda a certeza que essa foi uma das melhores experiências da minha vida. Não só porque eu amo a Disney, admiro tudo que eles fazem e adoro tirar foto com as princesas.

Foi incrível porque eu tive experiências maravilhosas. Ajudei crianças a montar seu próprio sabre de luz, ganhei abraços de estranhos na noite de Natal, arranquei risadas dos pequenos com simples bolhas de sabão, enfim, eu fiz sonhos virarem realidade todos os dias. E se não bastasse tudo isso, conheci pessoas maravilhosas, fiz amigos que vou levar pra vida toda, morei sozinha pela primeira vez e convivi diariamente com culturas diferentes.

Olhando meu álbum de fotos da viagem fico me perguntando se isso tudo aconteceu mesmo, como pode tanta felicidade concentrada em tão pouco tempo? É difícil aceitar que acabou, que já faz um ano que aquele sonho maravilhoso se tornou realidade.

Pulamos 365 dias e chegamos em 17 de novembro de 2015, o dia que eu entrego minha monografia. Eu passei de um dos momentos de mais felicidade e êxtase da minha vida para um dos anos mais difíceis, cheios de dúvidas, incertezas e algumas decepções. Não é fácil encarar a famosa vida real. “Como assim, tu acha que tá na Disney?”. É, na verdade eu adoraria estar. Mas a realidade é que hoje eu acabo mais uma etapa da minha vida. Depois de muito choro, frustação e vontade de desistir, eu consegui sobreviver ao TCC. O próximo passo é, bem, todo o resto. Tenho toda uma vida pela frente, um mundo pronto para ser explorado.

Um dos meus trabalhos finais do curso é um documentário sobre sonhos. Ouvindo nossos personagens falar sobre seus sonhos, desejos e frustrações acabei refletindo sobre meus últimos anos. Acho que uma das coisas mais difíceis da vida é encontrar novos sonhos. A Disney era meu maior sonho, mas acabou. Eu sonhava em ser jornalista, agora está acabando. E aí, qual o próximo?

Eu me agarrei a esses desejos e é frustrante ter que me separar deles e aceitar que agora eles são os sonhos de outras pessoas, que agora eu preciso encontrar novos sonhos. Não é uma tarefa fácil e sim, isso soa como o maior first world problem de todos. Reconheço que tenho esse privilégio de escolher meus sonhos e por isso mesmo quero fazer a melhor escolha possível, quero usar minha vida para fazer a diferença e não desperdiçar as oportunidades que surgem na minha frente, só que isso pode ser um pouco assustador. Sei que essas coisas acabam se resolvendo sozinhas, quando eu menos esperar eu tropeço em um sonho novo por aí, mas não posso negar que não saber o que eu quero da vida me deixa um pouco nervosa.

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1 de novembro de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

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