O ano que deu errado

2016

2015 não seguiu os meus planos.

Eu comecei o ano em outra cidade, outro país, realizando um sonho que nunca me pareceu mais do que isso, um sonho. A ideia de ir para Orlando, trabalhar na Disney, uma empresa que me proporcionou tanta alegria durante meus curtos anos de vida era uma realidade muito distante e o fato de que eu fui lá e vivi aquela realidade ainda é surreal pra mim. Depois de conquistar esse objetivo tão louco e incrível, é de se esperar que minha confiança subisse uns bons níveis e que eu passasse a acreditar que tudo é possível, certo? Errado.

Quando voltei pro Brasil me deparei com aquela famigerada “vida real”. Era meu último ano na faculdade, a última chance (na minha cabeça) de aprender tudo que eu preciso para encarar o mundo dos adultos com meu diploma na mão. Passei o primeiro semestre todo buscando um estágio. Algumas respostas por email, algumas entrevistas, algumas indicações, mas não passou disso.

Depois de tantos nãos, admito que fiquei meio desmotivada. Resolvi gastar as minhas energias e a vontade de fazer alguma coisa aqui nesse blog, falando sobre os assuntos que eu amo e compartilhando minhas ideias com quem quisesse ler. Mas lá no fundo do meu cérebro, me cutucando todos os dias, estava o sentimento de que eu estava me encaminhando para o fracasso (eu adoro um drama, não sei se deu pra perceber).

A segunda metade do ano foi dedicada ao TCC, aquele meu “filho” que chegou meio de repente. Desisti de tentar achar um trabalho e decidi que focaria na faculdade e nos meus últimos momentos como estudante. Até aí, tudo bem. Só que ao meu redor estavam todos os meus colegas e amigos começando a encaminhar suas vidas. Alguns foram efetivados no trabalho, alguns passaram em cursos incríveis pelo país, outros já estão planejando a segunda graduação. E eu aqui. Sem nada.

É muito fácil cair nessa armadilha da insegurança, eu sei porque caí de cabeça e ainda quebrei as duas pernas. Já perdi a conta de quantas pessoas me falaram “mas tu é jovem, ainda tem muito tempo pela frente”, “é claro que tu vai conseguir trabalhar”, “não adianta desistir”, e eu sei que eles têm razão.

Só que esse é o grande talento do nosso cérebro. Ele distorce a realidade e passa um marca-texto amarelo em todas as coisas ruins que acontecem na nossa vida. É só aquilo que importa e não há nada que possa ser feito para resolver.

Eu não sei o que eu vou fazer em 2016, muito menos o que eu QUERO fazer em 2016. Mas, infelizmente, eu não sou o Adam Sandler e não tenho um controle remoto que pode parar o tempo enquanto eu estou getting my shit together. A vida não espera a gente se recompor. A única coisa que eu posso fazer é viver ela e esperar que as coisas melhorem.

É claro que as coisas não acontecem do nada e se eu quero que 2016 seja melhor eu preciso tentar fazer com que ele seja. Preciso entender que nem sempre meus planos para o futuro vão acontecer dentro do meu cronograma mental e que eu não vou acordar amanhã sendo a editora-chefe da Elle. Preciso entender que eu não sou perfeita e que, às vezes, eu preciso de ajuda. Preciso, principalmente, aprender a acreditar no meu potencial e acreditar que eu sou capaz de alcançar os meus objetivos. Acho que essa é a tarefa mais difícil e sei que muita gente também lida com esse problema. E não, eu não sei como eu vou fazer isso ainda. Só sei que quero tentar. Se der certo, eu conto. Quem sabe até escrevo um livro e fico famosa.

assinatura

27 de dezembro de 2015

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

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