Zootopia: uma lição de humanidade contada por animais

zootopia filme cartaz

Me perdoem pelo termo, mas a Disney lacrou mais uma vez. Confesso que duvidei um pouco de Zootopia no início, essa ideia de um mundo habitado por animais me lembrava um pouco o estilo de Carros, um dos filmes que eu menos gosto da Disney. Mas gente, como eu estava errada.

Zootopia conta a história de uma coelhinha chamada Judy Hopps, que cresceu em uma cidade pequena do interior e sonha em ser a primeira policial coelha do mundo. Todos sempre duvidaram dela, afinal coelhos não são animais fortes, não nasceram para ser policiais, mas ela não deixa de correr atrás desse sonho e quando conquista seu distintivo, viaja para a cidade de Zootopia, um lugar onde todos os animais, presas e predadores, vivem em (quase) harmonia.

Todo filme da Disney carrega uma mensagem, é a fórmula clássica deles, e esse tem uma mensagem extremamente importante, não só para crianças, mas para os adultos também: é um filme sobre preconceitos. É um filme sobre racismo, sobre machismo e sobre respeito. Tudo isso, só que contado por coelhinhos raposas, leões e elefantes.

Logo no início já entendemos que a nossa personagem principal é vista como uma criatura indefesa, frágil, que não pode fazer nada além de plantar cenouras na sua fazenda. Soa familiar, meninas? Nesse mundo, a coelhinha Judy representa as mulheres, que são vistas como inferiores e nunca levadas a sério. Na sua jornada, ela tenta quebrar esses estereótipos e provar para todos que é capaz de fazer o que bem entende e que ninguém tem o direito de lhe dizer não.

zootopia filme judy hopps

Durante toda a trama, somos apresentados a uma ideia de que existe uma divisão no mundo de Zootopia: as presas e os predadores. Os predadores são sempre vistos como uma ameaça, como seres perigosos e não confiáveis, mesmo que eles tentem provar o contrário.

As presas acreditam que, mesmo que hoje em dia todos ali sejam seres evoluídos, os predadores ainda tem uma predisposição à violência, à maldade. É uma metáfora simples para todos os tipos de preconceitos que enfrentamos diariamente no mundo. E o filme tenta descontruir essas ideias, mostrar para o espectador que julgar os outros e cultivar preconceitos não leva a nada.

Eu fiquei muito surpresa e feliz com essa mensagem do filme. Olhando para o mundo hoje, o que não falta é preconceito. Aqui no Brasil, na crise de refugiados, nas eleições para presidente nos Estados Unidos, tudo é movido a preconceitos. Nesse cenário atual, um filme que busca ensinar às crianças que o preconceito não tem fundamentos me deixa muito feliz e me dá esperança de ver um mundo mais feliz e justo no futuro.

Além da história incrível, precisamos falar da própria Zootopia, essa cidade que os gênios da Walt Disney Animation Studio criaram. A história se passa em um mundo onde não existem humanos e os animais agem como pessoas, usam roupas, tem trabalhos comuns, andam em duas patas.

zootopia filme cidade

Na primeira cena do filme eles explicam que há muito tempo atrás, os animais deixaram seus instintos selvagem de lado e se tornaram “civilizados”. Apesar disso, eles não perderam suas características principais, então cada espécie caminha de uma maneira, se porta de uma maneira e vive de uma maneira.

Quando Judy chega à cidade, somos apresentados a esse ecossistema mega planejado onde seres de todos os tipos podem viver juntos. Então existe um bairro glacial, para animais de clima frio, um bairro de clima desértico, um bairro de clima tropical, e assim vai. É sensacional o jeito como os animadores pensaram esse mundo e como ele foi bem construído, a ponto de nos fazer realmente acreditar que aquele lugar pode existir e que aqueles seres poderiam viver ali.

Eu poderia ficar horas falando sobre esse filme, sobre a trilha sonora, sobre o humor genial, sobre os inúmeros easter eggs (inclusive um pequeno tributo a Breaking Bad).

Enfim, eu amei Zootopia, recomendo muito que todas as pessoas assistam. Levem seus filhos, sobrinhos, amigos, vô, vó, todo mundo, garanto que todo mundo vai amar e ainda vão sair do cinema pensando sobre esse mundo estranho em que vivemos.

assinatura

20 de março de 2016

Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

1 Comment

  1. Responder

    Arely

    3 de novembro de 2016

    O meu favorito é Flash, representa bem a burocracia. Me encanta! Em geral, todos os seus personagens humanos si são semelhantes nesta lista. Aliás, eles vão passar estes dias na HBO (dias e horários Zootopia 2016) é muito divertido, eu realmente gostei do punho humor.

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