O feminismo virou estratégia marketing?

feminismo marketing

 

Essa semana eu fui dar aquela olhadinha tradicional na Renner e acabei levando pra casa uma cartela com quatro pins fofos na maior vibe #GirlPower. Entre a seleção de desenhos estavam um cactus e um pacotinho de batata frita com a ótima frase “fries before guys”.

Mas teve um pin específico que me fez levar a cartela até o caixa da loja: um coração vermelho com a palavra “feminist” dentro. Na hora achei o máximo, já comecei a imaginar como eu poderia usar ele com as minhas roupas – mas depois de um tempo fiquei pensando, não é meio estranho isso estar a venda ali?

 

vamos começar o ano do jeito certo 👌 #girlpower #pin #pinstagram

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Eu compro na Renner há anos, mas como consumidora nunca notei algum esforço específico da loja para se posicionar como uma marca feminista, inclusive ela é comandada por um homem. Então por que eu comprei um pin claramente feminista lá?

Já faz um tempo que o feminismo vem ganhando mais espaço na mídia, mas acho que nesse último ano ficou ainda mais evidente o peso dessa palavra e parece que as marcas perceberam isso, principalmente quando olhamos para marcas de moda.

Na última semana de moda de Paris, a peça mais comentada do desfile da Dior não foi um vestido luxuoso, mas sim uma camiseta branca com a frase “we should all be feminists”, o título da famosa palestra da Chimamanda Ngozi Adichie no TEDtalks. Foi algo bem diferente, visto que a nova diretora criativa Maria Grazia Chiuri é a primeira mulher a ocupar o cargo na maison. E se olharmos mais além, ela é uma das poucas mulheres a comandar grandes marcas de moda.

 

feminismo marketing desfile dior

 

Na mesma linha, em 2015 a Chanel de Karl Lagerfeld transformou seu desfile em um protesto feminista, com direito a placas e megafones. Lagerfeld não é bobo e está sempre a frente das tendências, buscando incorporar elas no DNA da tradicional marca francesa, então não é de se espantar que ele tenha trazido esse movimento para a passarela.

Acontece que ao pensar assim, estamos classificando o feminismo como uma tendência, tipo ser fitness ou usar batom líquido matte. E ele é mais do que isso, né?

 

feminismo marketing desfile chanel

 

Comecei a pesquisar um pouco sobre esse assunto e encontrei artigos em sites tipo Exame e até um no LinkedIn sobre “por que sua marca deve ser feminista” ou “como sua empresa pode ser feminista”. É uma coisa meio estranha de se ler, mas faz sentido, afinal os consumidores – principalmente as consumidoras – estão cada vez mais ligadas, mais conscientes e não toleram mais posicionamentos machistas.

Segundo a Agência Brasil, “de janeiro de 2014 a outubro de 2015, o número de buscas pelo termo ‘feminismo’ no Google aumentou 86,7% no Brasil – passando de 8.100 para 90.500 buscas”.

Ou seja, hoje em dia é bom negócio para as marcas apostarem na pegada feminista, nas hashtags de empoderamento, nas campanhas de positividade e liberdade. Só que não deixa de parecer meio forçado em alguns casos.

Eu não estou aqui para dizer se isso é certo ou errado, se incorporar as pautas feministas nas estratégias de marketing de uma marca deve ser condenado ou aplaudido. Acho que existem pessoas muito mais qualificadas por aí que estão falando sobre isso.

Mas acredito que é importante não fechar os olhos para essas mudanças. Independente de que lado você se posiciona, o feminismo e a pauta dos direitos da mulher seguem no centro das discussões e acho importante manter esse debate vivo. Então, o que vocês acham disso?

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Luísa Dal Mas

Jornalista, criativa, estressada, meio louca e apaixonada por moda e história. Tentando colocar um pouco de pó mágico nas coisas do dia a dia.

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